Um canhão pelo cú

>> janeiro 02, 2013


O texto que está a incendiar Espanha

O seguinte texto foi publicado recentemente no El País, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha. Reflecte sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo actual que está a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é "Um canhão pelo cú", e é escrito por Juan José Millas.





Um canhão pelo cú

Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.

Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.

Juan José Millas
notícia dinheiro vivo

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Assim funciona a TROIKA

>> novembro 06, 2012


A equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI) que se encontra sediada em Lisboa é paga com o valor da quota do Estado português na organização. Atualmente, são 1144 milhões de euros. "São missões pro bono, que entram no fee habitual da comparticipação ao FMI", afirmou, ao Dinheiro Vivo, fonte oficial do Ministério das Finanças. Ou seja, a ajuda que os técnicos da organização, juntamente com um perito do Banco Mundial, estão a prestar no sentido de cortar 4 mil milhões de euros na despesa pública não representa um custo adicional.
A missão desta equipa é dar apoio técnico à "revisão da despesa pública pelo governo", confirmou fonte do FMI. "O Fundo disponibiliza assistência técnica de forma rotineira à reforma de finanças públicas a todos os países membros", disse a mesma fonte. A equipa é constituída por membros do Departamento de Assuntos Orçamentais, incluindo também um perito do Banco Mundial.
Na quarta-feira, o antigo presidente do PSD, Luís Marques Mendes, anunciou no programa Política Mesmo, na TVI 24, que as reuniões aconteceram nos ministérios da Administração Interna e da Defesa. De acordo com o antigo líder social--democrata e atual conselheiro de Estado, as alterações podem passar por mais concessões a privados, nomeadamente nos centros de saúde e nos transportes públicos, pelo aprofundamento da mobilidade especial na função pública e por um aumento dos copagamentos dos cidadãos na Saúde e na Educação.
No programa, Marques Mendes revelou também os timings destas alterações, afirmando que a ideia é aprovar o estudo em 2013 para depois ser implementado no ano seguinte. Assim, em novembro, o executivo apresentaria à troika de credores internacionais os princípios essenciais das reformas no Estado e depois, em fevereiro, elencaria o conjunto de medidas concretas a tomar para concretizá-los.

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Diálogo entre Colbert e Mazarino

>> outubro 24, 2012

 


Durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral 





Le Diable Rouge, de Antoine Rault, de 2008:
 
Colbert: -Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço...

Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado... é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: - Criando outros.

Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: - Sim, é impossível.

Colbert: - E sobre os ricos?

Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então como faremos?

Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer, e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!


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“As leis são como as mulheres, servem para ser violadas”

>> outubro 22, 2012



06.10.2012 - 17:31 Por PÚBLICO

A frase foi dita durante uma conversa com outros conselheiros e as reacções não se fizeram esperar. José Manuel Castelao, presidente do organismo espanhol para os cidadãos no estrangeiro, disse que “as leis são como as mulheres, servem para ser violadas”. Pouco depois apresentou a demissão.

José Manuel Castelao demitiu-se ao fim de quatro dias de um mandato que seria de quatro anos. Castelao alegou “motivos pessoais”, mas na imprensa espanhola é a polémica frase que dá título aos artigos sobre a demissão. E “infeliz” é o adjectivo mais contido para qualificar a declaração, feita quatro dias depois da tomada de posse. O mandato de quatro anos acabou por não durar uma semana. A frase foi dita na passada segunda-feira, durante uma reunião, em Santiago de Compostela, na Galiza, dos membros do Conselho Geral da Cidadania no Exterior. Trata-se de um órgão consultivo ligado ao Ministério do Emprego espanhol. Responsáveis deste ministério disseram ao jornal El Mundo que as declarações de Castelao “estão completamente fora de lugar e são, no mínimo, infelizes”.

Castelao, um advogado de 71 anos, admitiu ter dito as palavras que causaram polémica, “mas não com o sentido que quiseram dar-lhe”. E adiantou que o que quis dizer “era o contrário”, garantindo que “não quis ofender ninguém, e menos ainda as mulheres”. Antigo deputado do Partido Popular espanhol no Parlamento da Galiza entre 2005 e 2009, Castelao disse, citado pelo El País, que o pedido de demissão não está relacionado com a polémica frase. “Ninguém me pediu que renunciasse ao cargo. Tenho uma situação pessoal que me leva a não continuar no cargo. Não tem nada a ver com o que aconteceu, embora seja certo que as coisas estão a ser relacionadas”, disse ao El País.

A frase gerou protestos de membros do próprio organismo espanhol para os cidadãos no estrangeiro e Castelao já foi substituído pela até agora vice-presidente Marina del Coral. Tinha sido proposto para o cargo, que ocupava pela segunda vez, pela ministra do Emprego, Fátima Béñez, mas esta nem teve tempo de assinar a nomeação. No segundo dia em funções, Castelao estava a referir-se à acta de uma das comissões do organismo, dedicada à educação e cultura, e para a qual faltava um voto, conta o El País. Terá então dito: “Não há problema. Há nove votos? Põe dez. As leis são como as mulheres, existem para ser violadas”. A frase gerou um forte incómodo logo na altura e vários conselheiros exigiram um pedido de desculpas. Ana María Navarro, membro do conselho pela Venezuela, onde vive, disse ter ficado atónita. “Foi uma frase absurda e infeliz, para mais vinda de uma pessoa como ele, que é presidente de um organismo.” Castelao acabou por pedir desculpa. “Lamento profundamente o que aconteceu. E duplamente: pelos que a ouviram, quase todas mulheres, e por mim, porque construí um edifício que me caiu em cima.”

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Lição de economia

>> outubro 17, 2012


O Nobel da Economia Prof. Dr. Wass Catar, explica como se deve pensar na economia actual.
· Se em Janeiro de 2010 tivessem investido 1.000 euros em acções do Royal Bank of Scotland, um dos maiores bancos do Reino Unido, teriam hoje 29 euros!
· Se em Janeiro de 2010 tivessem investido 1.000 euros em acções da Lemon & Brothers teriam hoje 0 euros!!!
· Mas se em Janeiro de 2010 tivessem gasto 1.000 euros em bom vinho tinto (e não em acções) e tivessem já bebido tudo, teriam em garrafas vazias 46 euros.
Conclusão: No cenário económico actual é preferível esperar sentado e ir bebendo um bom vinho. Não se esqueçam que quem sabe beber vive :
- Menos triste
- Menos tenso
- Mais contente com a vida.

Pensem nisto e invistam na alegria de viver.

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